Capítulo X

 

DE ONDE VEM A GRAVIDADE?

 

“ A vida é como uma escultura;

é uma questão de ser capaz de ver o que os outros não vêem e, depois,

com o cinzel, desbastar o que sobra.”

-  Miguel Ângelo -

 

 

     Com este novo modelo apresentado, para um Universo primordial com ausência de Forças Gravitacionais, muitas questões seriam resolvidas.

     A resolução destas questões consiste em abdicarmos do preconceito de que a Gravidade é inata ao Cosmos e inerente às massas!

     Introduzir esta alteração revolucionária, tem como objectivo salientar um outro aspecto que é o seguinte:  

     O que me parece é que a estrutura íntima da matéria não está, de forma alguma, relacionada com a Força Gravitacional! E, consecutivamente, a Força Gravitacional não está directamente relacionada com Massas!

     É claro que isto levantaria, obrigatoriamente, uma outra questão, afinal, de onde vem a Gravidade?

     Esta é a grande questão que nos reúne aqui hoje!

     Podemos constatar em vários livros de Física, quando apresentam datas importantes da História Natural do Universo, que a Força da Gravidade aparece logo no início do tempo, juntamente com o momento do Big Bang. Isto porque deduz-se que a Gravidade está intimamente relacionada com o Tempo.

     Referindo um pequeno excerto, deduz-se o seguinte:

 

     ‘ Nos primeiros instantes, quando o Universo tinha apenas 10-43s de idade, logo após a explosão do Big Bang, o Espaço e o Tempo ainda estavam a ser criados. As Força da Natureza estavam combinadas numa Força Primordial única, designando-a por Grande Força Unificada. Chama-se a esse período Tempo de Planck, e os seus pormenores não podem ser explicados porque nos falta uma Teoria Quântica da Gravidade (…) e as próprias Forças ainda estavam em formação.’.

 

     De acordo com o que vos acabei de demonstrar, até agora ainda não necessitámos de incluir nenhuma Força Gravitacional para explicar a Evolução Natural do Universo.

     Quase me atreveria a supor que, talvez não precisemos de nenhuma Teoria Quântica da Gravidade!

     É óbvio que esta dedução deixaria, automaticamente, muitos Físicos carecas e em estado de choque! O que não seria nada conveniente.

     Antes de entrarmos em deduções precipitadas, mais uma vez, comecemos pelo início.

     Seria bom começarmos por relembrar que o conceito de Massa e o conceito de Peso de um objecto, são duas coisas muito diferentes. É importante não confundi-los.

     Sabemos que o nosso peso na Terra não tem o mesmo valor que na Lua. O nosso peso na Lua é inferior ao peso que sentimos na Terra. E quando isto acontece, não foi porque tivesse ocorrido algum défice de massa. A Massa é exactamente a mesma, pois a Massa é uma medida da quantidade de matéria; mas o Peso é diferente, pois o Peso é uma medida de Força aplicada à matéria.

     O nosso peso na Lua é menor, simplesmente porque a massa sente menos peso, porque nela estão a actuar menos Forças Gravitacionais.

     E com isto pretendo concluir que, a Massa pode existir mesmo na ausência de Forças Gravitacionais, simplesmente, esta deixa de sentir peso… muito interessante!

     O Peso depende do sítio onde estamos, isto é, da magnitude local da aceleração causada pela Força da Gravidade.

     Correcto?!

     Se concordaram, então, também concordarão que Massa e influência Gravitacional podem ser conceitos independentes, logo, podemos concluir que não estão directamente relacionados!

     A influência gravitacional apenas transmite peso às massas. Este efeito revela-se apenas quando combinamos as duas variáveis: quantidade de matéria presente, expostas a um Campo Gravitacional, tem-se como resultado matéria pesada.

     Embora a massa de um átomo esteja concentrada no seu núcleo, somos iludidos pela Natureza e pensamos que a Força Gravitacional advém deste centro. Aplicamos de imediato a seguinte dedução: obviamente se a maior concentração de gravidade é onde se encontra a maior concentração de matéria, nada mais lógico do que concluir que a Gravidade advém da matéria, ou seja, do interior do núcleo. E por isso tentamos explorar, a todo o custo, qual o segredo da matéria, qual a sua composição mínima indivisível, e esperançamos assim obter a Quantização da Matéria e uma Teoria Quântica da Gravidade. É este enigma que chama a atenção de milhares de Físicos do mundo inteiro …

     Lamento desapontar-vos mas, muito embora a maior concentração de Massa induza a valores mais elevados de Gravidade, isto é, no núcleo do átomo; a fonte do Campo Gravitacional, esta, não advém do centro!

     Para chegarmos a esta conclusão bastaria retrocedermos no tempo e prosseguirmos com a nossa Evolução Natural do Universo.

     Onde estávamos?! … Ah! … sim … 300 000  d. B. B. ( depois  Big  Bang )

     Continuando com o nosso modelo de ausência de Gravidade no Cosmos inicial, entramos novamente no período da Homogeneidade.

     Esta Homogeneidade que apareceu e permaneceu mesmo após terem decorrido já 300 000 anos após a inflação, poderia ser facilmente explicada constatando que não existiriam quaisquer forças gravitacionais que pudessem desfazer esta homogeneidade e causar a mínima alteração na concentração da matéria.

     Assim sendo, a segunda Lei de Newton ou Lei do Movimento ( F = m.a )  não poderia entrar em acção, pois as partículas não seriam atraídas por nada; pois se nenhuma força lhes está a ser aplicada; e a matéria primitiva permaneceria exactamente nas mesmas posições iniciais.

     Exceptuando a distância relativa entre elas que aumentaria devido à expansão natural do próprio espaço.

     Um fenómeno interessante, a distensão do próprio espaço verificada por Hubble, quando confirmou que todas as galáxias se  estavam a afastar de nós em simultâneo … muito interessante … mas este é um assunto que deixaremos para mais tarde.

     Até aqui, como vimos, o que aconteceu neste cosmos inicial foi o desenvolvimento da própria matéria. A transformação de partículas em núcleos primitivos e que alguns desses núcleos primitivos conseguiram obter a mutação neutrão-protão, mas não todos. A maior parte permaneceu como matéria escura e uma pequena parte evoluiu para elementos químicos.

     Toda a matéria negra que se detecta actualmente representa toda a matéria falhada na evolução do Universo e portanto, será muito pouco provável, e extremamente difícil, que os primeiros núcleos atómicos tenham sido formados quando o Universo tinha apenas três minutos de idade!

     Com este novo padrão há a salientar que, mesmo estando a matéria igualmente bem distribuída, nem toda essa matéria evoluiu da mesma forma. Somente uma pequena parte, alguns desses núcleos dispersos, distribuídos aleatoriamente, é que conseguiram formar isótopos de Hidrogénio.

     A partir deste momento em que se forma um átomo familiar da Tabela Periódica, constituído por um protão e por um electrão, surge também a Radiação Electromagnética, que começa a preencher todo o espaço.

     A evidência desse momento cosmológico está no aparecimento dos fotões detectados na radiação cósmica de fundo.

     Antes deste período é impossível obter qualquer registo fóssil ‘visual’ do Universo.

     Se já repararam, o que vos pretendo dizer mais directamente, é que foi aproximadamente durante este período que se formou a própria Força Electromagnética! Também esta teve de nascer de uma evolução natural! Sem protões e sem electrões não há Força Electromagnética.

     Uma vez mais, há que realçar que a Força Electromagnética só surge como resultado da interacção de cargas eléctricas com fotões.

     Este modelo do Cosmos pretende salientar uma Evolução sensata e poupada. A Natureza só precisou de criar uma Força de cada vez … uma após outra … ou quase!

     E com isto, já disse quase tudo!

     Se repararam, o que acontece após este momento é que o Universo começa a evoluir de uma forma diferente. Começam a surgir as primeiras concentrações de matéria; mais precisamente, concentrações de gás de Hidrogénio; que só pode ser explicado por influências gravitacionais. Isto é, só podem ocorrer concentrações de matéria se admitirmos que existe uma atracção gravitacional. Algures durante este tempo emergiu a Força Gravitacional!!

     Sabemos que a Força Gravitacional é a mais fraca de todas as forças. A sua acção é lenta mas extremamente paciente.

     As primeiras evidências de grandes concentrações de matéria ocorreram milhares de anos após o Big Bang na forma de Quasares bastante densos e hiper-luminosos.

     Estes astros primitivos são extremamente interessantes. Com o tamanho de uma simples estrela conseguem emitir uma radiação tão potente como a de uma galáxia inteira. Estes núcleos galácticos produzem uma intensa radiação luminosa, de modo que a densidade de fotões emitida por unidade de volume era de uma ordem bastante superior à  actual.

     Os quasares são objectos distantes no tempo e, como tal, já não existem. Estes astros são o registo fóssil dos primeiros passos da evolução do nosso Universo envolvido em altas energias e são a prova da formação das primeiras grandes estruturas de matéria, no sentido de formar as primeiras estrelas e as primeiras galáxias.

     O tempo necessário para conseguir aglomerar esta quantidade de matéria é na verdade imenso, provavelmente de alguns milhões de anos.

     Curiosamente, se retrocedermos no tempo e invertermos o processo de atracção gravitacional que levou à concentração de tanta matéria em Quasares, chegamos praticamente ao período da Homogeneidade … novamente! Pois o tempo necessário para aglomerar essa quantidade de matéria é realmente imenso.

     Obviamente, isto leva-nos a concluir que a Força Gravitacional deve ter emergido muito cedo.

     Poderíamos supor que a Força Gravitacional emergiu algures durante o período de Homogeneidade.

     Desta forma, poderíamos igualmente deduzir que dentro deste período, aproximadamente em 300 000 d.B.B., assim que se formou um átomo familiar da Tabela Periódica, surgiu a Força Electromagnética … produzida por cargas; e também a Força Gravitacional … produzida por … bem … digamos que por massas mais complexas.

     Com isto podemos concluir que somente os átomos comuns da Tabela Periódica é que são capazes de produzir Radiação Electromagnética e Radiação Gravitacional … é propositado, considero-a Radiação Gravitacional.   

     Esta foi a verdadeira era da Radiação!

     Posto isto, para completarmos o nosso naipe de Forças, só nos fica a faltar apenas uma: a Força Forte.

     De onde vem a Força Forte? Sabemos que a Força Forte é a responsável por manter os protões coesos no núcleo. Sem a presença desta força cargas iguais se repeliriam. Mas porquê que a Natureza precisaria de criar a Força Forte?

     É simples. Confirma-se que a Natureza tem uma certa tendência para formar grupos e aglomerados cada vez maiores e mais requintados de matéria.

     De modo a adquirir um maior grau de complexidade, a união desenvolveu-

-se de modo a formar-se átomos mais complexos que o Hidrogénio. O esforço seguinte seguiu no sentido de formar átomos de Hélio.

     Formar um átomo de Hélio também não foi tarefa fácil. Era necessário manter dois protões bem próximos um do outro, concentrados num núcleo; e era necessário manter dois electrões bem próximos um do outro, nas proximidades do núcleo, na periferia do átomo.

     Recorrendo novamente  ao Almanaque de registos cosmológicos, verifica-

-se que, praticamente desde o início do Universo, há 15 000 milhões de anos, que tem ocorrido a formação de átomos de Hidrogénio; de tal modo que, este é, nos dias de hoje, o elemento químico dominante e em maior quantidade.

     Logo a seguir a este, temos o Hélio, cuja relação de proporção entre estes é de 75% Hidrogénio e 25% Hélio. No entanto, destes 25% de Hélio somente 10% foram formados em estrelas, os restantes 90% são anteriores à própria formação das estrelas. O que os estudos mostram é que este elemento químico conseguiu evoluir relativamente cedo, muito antes do nascimento de estrelas.

     De todos os elementos químicos constituintes da Tabela Periódica, presentes no nosso Universo, 99,9% são Hidrogénio e Hélio e os restantes 0,1% representam todos os outros elementos mais pesados como o Oxigénio e o Carbono, etc.

     A proporção de Hélio é, ainda assim, bastante elevada … curioso …

     O Hélio é constituído por uma união forte de dois átomos de Hidrogénio…

     Será que conseguem ler o meu pensamento?!

     Primeiro, a Força Electromagnética surgiu com os átomos de Hidrogénio, com a criação de cargas;

     Segundo, A Força Gravitacional também surgiu com a formação de átomos de Hidrogénio, com a criação de estruturas mais complexas de matéria;

     Terceiro, a Força Forte já está presente assim que se verifica a formação de átomos de Hélio, mas a sua percentagem é inferior à do Hidrogénio porque, primeiramente, foi necessário esperar que a atracção gravitacional concentrasse alguma quantidade de Hidrogénio;

     Quarto, a Força Forte terá surgido possivelmente em simultâneo com a Força Electromagnética e com a Força Gravitacional!

     Muito interessante…

     Primeira conclusão: praticamente tudo retorna ao mesmo momento no tempo: à formação do átomo!

     À primeira vista isto pode parecer uma conclusão evidente, ou quase óbvia, mas talvez não esteja assim tão clara quanto isso.

     Com a formação do átomo formou-se também as outras três Forças da Natureza. Portanto, estas nem sempre existiram. Também estas tiveram uma origem!

     E isto já vai contra os princípios de muitos físicos, que acreditam numa Física mais Bíblica do que Natural!

     Os físicos teóricos assumem que todas as Forças da Física já estavam presentes no início do Universo!

     Tal como a Bíblia assume que o ser humano já estava presente desde o início da formação da Terra, que o Homem evoluiu de Adão. Assim os físicos também acreditam que as Forças Fundamentais da Natureza nasceram todas ao mesmo tempo, emergiram todas do Big Bang!

     A meu ver, este é um erro crucial …

     Apesar de se convencionar que a radiação e os próprios fotões são propriedades inatas do Cosmos, bem com as próprias Forças da Natureza, a verdade é que as forças não emergiram todas em simultâneo em forma de uma Grande Teoria Unificada!

     Continuando com a nossa Evolução Natural do Universo, poderíamos assumir que as três Forças da Natureza - A Força Electromagnética, a Força Gravitacional e a Força Forte - foram criadas ao mesmo tempo, em simultâneo, juntamente com a formação do átomo;

     Poderíamos especular que estas poderiam ter uma causa comum;

     Poderíamos especular um pouco mais e supor que estas poderiam partilhar de uma mesma origem!

     Mas como?! Haverá alguma semelhança ou alguma hipótese de relação entre estas três Forças, supostamente tão diferentes?! É evidente que estas três Forças têm funções e interacções distintas! Mas haverá alguma hipótese de ligação entre elas?!!

     Se descobríssemos o que é que relaciona estas Três Forças, qual o seu gene comum … teríamos na mão a chave da nossa Caixa de Pandora, e com ela, descobriríamos tudo!!!